quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Fufofóbicomania (palavra bonita não?, talvez não)

Gostava de partilhar isto convosco. Acho que a senhora Monique Wittig deve ser uma pessoa deveras interessante. Gostava de a ter conhecido para por fim aos seus fantásticos argumentos femininistas com um doloroso torcer de mamilos.

"Uma lésbica, afirma ela, ao recusar a heterossexualidade já não é definida em termos dessa relação oposicional. De facto, uma lésbica, afirma ela, transcende a oposição binária entre mulher e homem; uma lésbica não é nem homem nem mulher. Mais ainda, uma lésbica não tem sexo; ela está para além da categorias do sexo. Pela recusa lésbica destas categorias, a lésbica expõe a constituição cultural contingente dessas categorias e a coerção táctica da matriz heterossexual. Logo podemos dizer, para Wittig, ninguém nasce mulher, torna-se numa; mas mais ainda, ninguém nasce feminino, torna-se feminino; mas mais ainda radicalmente, pode-se, se se escolher, tornar-se nem feminino nem masculino, nem mulher nem homem. De facto, a lésbica parece ser um terceiro género, ou como mostrarei, uma categoria que problematiza radicalemente tanto o sexo como o género enquanto categorias políticas de descrição estáveis."


Isto é um excerto de Gender Trouble de Judith Bulter, traduzido pelo prof J.P Queiroz.

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